03/03/2026

Imprensa

Antes da impressão por tipos móveis, a escrita só era feita manualmente com canetas ou penas de mergulho em tinta e livros eram produzidos e copiados por profissionais copistas, os escribas.

Até meados do século XV, se você pretendia ter um livro qualquer, era preciso conseguir uma cópia manuscrita e contratar um copista para reproduzir o conteúdo novamente. Imagine o tempo que isso tudo demandava. O custo era muito alto, o que restringia a prática a pessoas abastadas. Ter um livro não era para qualquer um. Isso tudo mudou na segunda metade do século XV com a invenção da máquina impressora ou prelo, composta de uma prensa e formas de tipos móveis. Foi um golpe mortal para a antiga profissão dos copistas.


Prensas já eram utilizadas por produtores de vinho e azeite e gravações em papel ou pergaminho eram feitas de diversas maneiras. Tipos móveis de metal, entretanto, não eram conhecidos. Foi preciso elaborar um método para sua produção e fabricar as ferramentas necessárias previamente. Johannes Gutenberg tinha as habilidades e a perseverança necessárias para a empreitada que revolucionou o mundo. 


Basicamente a produção de um tipo metálico que reproduz uma letra ou símbolo passa por três etapas principais:

A-Punção: a letra é esculpida na ponta de uma barra de aço duro em alto relevo. Esse é um trabalho artesanal artístico;

B-Matriz: em uma barra de metal mole a letra é estampada em baixo relevo pela punção, com um golpe de martelo;

C-Molde: caixa metálica desmontável projetada para acomodar a matriz, ser fechada, possuir um orifício por onde possa ser despejado metal derretido e depois ser aberta e retirada dali o tipo fabricado. O processo é repetido milhares de vezes para cada letra e símbolo até haver quantidade suficiente para compor o que se pretende imprimir.



Depois de fabricados, os tipos serão montados reproduzindo o texto em formas no formato de páginas, que recebem tinta em sua face para serem prensadas junto ao papel ou pergaminho. Assim nasceu a imprensa.


É impressionante o esforço que isso tudo demanda. Pois foi assim que por volta de 1450 Gutenberg e sua equipe gráfica deram início à imprensa em Mainz, Alemanha. Seus primeiros produtos serviram de testes. Foram publicados indulgências, calendários e um livro didático de gramática latina, Donatus.


E depois? Toda nova tecnologia começa com desconfiança e essa não foi exceção. Era necessário produzir algo que demonstrasse todo o seu potencial e que ao mesmo tempo tivesse mercado, causasse impacto e proporcionasse lucro. Gutenberg escolheu então o seu alvo: a Bíblia.