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12/06/2026

O PIX é do Brasil?

Depois de ler a notícia que o Banco Central do Brasil registrou a marca Pix, fiquei curioso, pois essa marca é utilizada pela Montblanc há décadas. Então fiz a seguinte pergunta ao oráculo Google:


HÁ QUANTO TEMPO A MONTBLANC USA A MARCA PIX?

 

A resposta foi a seguinte:


A Montblanc utiliza a marca PIX há mais de 90 anos. O nome foi registrado e introduzido originalmente em 1934, marcando o lançamento de uma linha inovadora de lapiseiras. O termo foi criado para homenagear o som característico (um "clique") emitido pelo mecanismo.


Até os dias de hoje, o nome batiza coleções modernas da Montblanc servindo também como uma chancela histórica gravada em alguns de seus clássicos instrumentos de escrita.


Não há significado ou explicação convincente para a origem da palavra Pix, mas fica a estranheza de uma palavra inventada ou copiada poder ser propriedade de alguém, mesmo que as leis assim estabeleçam. De qualquer forma, até onde sabemos, a palavra Pix vem sendo usada há quase um século para apelidar lapiseiras e canetas de um fabricante alemão, ou seja, se o critério fosse pela precedência,  a Montblanc seria a dona da marca. Não há dúvidas sobre isso.



Todos sabemos que os instrumentos de escrita da Montblanc ocupam um mercado de luxo e o fabricante sofre com as cópias e falsificações de seus produtos, pois são objetos de desejo das pessoas que admiram suas canetas principalmente. Ou seja,  agora sua tradicional marca também foi copiada e legalizada para uso no Brasil por outra instituição.


O que acontecerá?  A Montblanc poderá continuar usando a marca no Brasil? Sei lá, não entendo do assunto, mas seria uma disputa interessante de acompanhar. Ou talvez se ignore tudo isso, como tem acontecido até aqui, e cada qual em seu nicho continue a usar a mesma palavra como sua. Afinal, quantas Marias e Josés existem por aí sem problemas de direito de propriedade.

09/03/2026

Canetês, estilos e dimensões 


No mundo das canetas tinteiro também existe um jargão canetês próprio de linguagem para se referir às características físicas delas e para identificar estilos, dimensões, mecanismos, materiais, adornos, guarnições, etc.


Muitas destas características já foram abordadas em postagens anteriores. Estilos e dimensões, entretanto, são características voltadas ao aspecto visual e ergonômico das canetas e são mencionados frequentemente como se fossem de conhecimento geral, o que nem sempre ocorre. 


1-Estilos.


Algumas canetas são apresentadas em sua descrição com adjetivos em inglês que pretendem descrever como é a caneta, principalmente quanto aos metais e polímeros que foram usados, o que permite diferenciá-las por preço. Dentre eles os principais são:


Special - frequentemente se refere a canetas com características básicas, sem materiais nobres, ou seja, é uma caneta mais barata para uso diário, normalmente toda em plástico, celulóide ou ebonite;


Flighter - corpo e tampa em aço escovado;


De luxe - canetas com clipe folheado ou banhado a ouro;


Custom - tampa folheada ou banhada a ouro;


Insígnia - corpo e tampa folheados ou banhados a ouro.


Porém, nem todas as canetas podem ser classificadas nestes estilos, pois as combinações possíveis não permitem essa rigidez. 


2-Dimensões.


Os tamanhos das canetas variam bastante e são caracterizados pelo comprimento e diâmetro. Em geral, o comprimento pode variar de 11 a 15cm e o diâmetro de 10 a 14mm, mas podem haver exceções. Os rótulos que classificam as canetas em tamanhos não são padrões, são apenas referências aproximadas de suas dimensões. Dentre eles os mais usados são:


Rótulo -  comprimento médio +/- 0,5cm - diâmetro médio +/- 0,5mm


Standart, regular ou full size - 13cm - 12mm


Júnior - 12cm - 11mm


Sub-Júnior ou ladies - 11cm - 10mm


Oversize, sênior ou máxima - 14cm - 13mm


Slender ou slim - 13cm - 10mm


Demi ou half size - 12cm - 11mm


Os comprimentos são com a tampa fechada. A tampa aberta e inserida na parte de cima da caneta aumenta o comprimento em até 2cm.


Como se vê, as dimensões variam mas se concentram num intervalo estreito de valores. Não há padrões definidos, mas há consenso quanto ao perfil de escala.


Por fim, quando nos referimos a dimensões é necessário abordar o confuso assunto dos cartuchos e conversores. Como fazem parte da grande maioria das canetas tinteiro atuais, é preciso estar atento às suas características. Cartuchos são fabricados em dois tamanhos, curto e longo. Os curtos têm comprimento de 3,8 a 4cm e diâmetro de topo de 6,3 a 7,5mm. Os longos têm comprimento de 7cm ou um pouco mais e o diâmetro é igual ao curto para o mesmo modelo de caneta. Entretanto há outras dimensões no cartucho que se deve conhecer: o diâmetro do colar inferior, do colar de encaixe e do furo por onde a tinta passa. Estas três dimensões nos permitem concluir se um determinado cartucho ou conversor poderá ou não ser acoplado a uma determinada caneta. 


É sabido que em geral não há compatibilidade entre cartuchos de canetas, principalmente entre as marcas mais famosas, devido às diferenças nas dimensões do colar e do furo. Entretanto fala-se muito em certos cartuchos tipo padrão universal ou padrão internacional para diâmetro de furo e colar definidos. Na verdade não existe qualquer padrão oficial ou rígido determinado. O que existe é um certo consenso de mercado que utilizam medidas aproximadas de diâmetros de 2,5mm para o furo e 6,3mm para o colar inferior, sendo que o colar de encaixe é de 4mm. Marcas asiáticas (chinesas principalmente) e algumas européias procuram manter dimensões iguais ou aproximadas a essas em suas canetas, o que permite compatibilidade de cartuchos e conversores entre elas.




08/08/2022

Made in China

Muitos aficionados e colecionadores de canetas têm preconceito com as marcas chinesas, apesar de alguns indicarem como boa alternativa para iniciantes, devido ao baixo preço.


Entretanto, algumas marcas chinesas já estão no mercado há quase 100 anos e podem ser consideradas tradicionais e de qualidade. As mais conhecidas no Brasil são a Hero e Jinhao.

O grande problema são as vergonhosas falsificações. Canetas icônicas de marcas famosas como as "51" e "Duofold", por exemplo, também são costumeiramente alvo de réplicas e imitações, mas as falsificações ultrapassam o razoável e as Montblanc são as preferidas. Tudo é copiado, desde o logo da marca até o número de série. O modelo 149 "fake" é vendido nos sites por menos de U$30,00 com frete incluso. A diferença de preço é astronômica, mas o melhor é ficar longe dessas "ofertas".

Outrossim,  é possível encontrar boas alternativas de acessórios e canetas por preços acessíveis no mercado chinês, facilitado pelas compras online. Conversores universais, por exemplo, podem ser comprados por R$1,00. Há ofertas de canetas tinteiro retrátil, de corpo em madeira e até vacuum fill.

A vacuum fill  Wing Sung 699 em particular é uma caneta incomum nos dias de hoje. A Sheaffer produziu canetas com este sistema de enchimento entre 1934 e 1949. Hoje é quase impossível encontrar uma caneta dessas e as que aparecem são muito caras. A 699 pode ser comprada por U$30,00. Claro, não é a mesma coisa, mas para quem quiser ter a sensação indescritível de usar este sistema de abastecimento que enche o grande reservatório com apenas um golpe é uma boa alternativa. As canetas são transparentes, o que permite ao consumidor ver todo o processo.

Antigamente as canetas tinteiro eram fabricadas de forma quase artesanal, com os melhores materiais e testadas uma a uma. Ainda há fabricantes que mantêm essa prática, o que eleva bastante o custo e consequentemente o preço final. São canetas para durar décadas e são essas as preferidas pelos colecionadores.

É claro que as canetas mais baratas como as chinesas são produzidas em série por processos fabris menos cuidadosos. Mas isso não quer dizer que não sejam boas canetas para o uso diário. Entretanto, no futuro, é pouco provável haver procura por elas no mercado de usados.

18/07/2022

Inscrições & símbolos

O corpo, a tampa, o clipe, a pena, o alimentador e o invólucro do sistema de abastecimento das canetas tinteiro podem conter inscrições que ajudam a conhecer melhor a caneta e até na datação da mesma. Pode haver ainda símbolos com significados interessantes. Alguns exemplos:


1) Metais

x Kgf (gold filled)= folheado a ouro x Kilates.

y Kgp (gold plated) = banhado a ouro y Kilates.

1/x y Kgf = 1/x do peso (da tampa por exemplo) em ouro y Kilates.

Observações:

Vermeil = prata revestida com ouro.

Ródio = metal nobre usado em revestimento de outros metais das canetas.

Iridium = metal duro usado na ponta das penas. As penas podem ser em ouro ou aço inox. As de aço podem ser revestidas de ouro. As gravações ajudam na identificação do material. As pontas, entretanto, são em metal duro como o irídio.

2) Símbolos 

Ponto branco (white dot) = símbolo inserido em 1924 no topo das tampas das canetas Sheaffer para representar garantia vitalícia para o comprador original.

Diamante azul (blue diamond) = símbolo inserido em 1939 no clipe das canetas Parker para também representar garantia vitalícia para o comprador original. Nas Parker em particular há códigos gravados para identificar a data da fabricação, a menos das produzidas antes de 1932 e entre 1956 e 1979.

Normalmente são gravados ainda a marca ou logo do fabricante, o modelo da caneta, a espessura da pena (fina, média, grossa, etc...) e o país de origem.

27/02/2022

Aficionados: perfis e mercado

Todos sabemos das dificuldades de encontrar e adquirir instrumentos de escrita antigos, entretanto, a internet revolucionou o mercado e colocou a disposição possibilidades inimagináveis há tempos atrás. Se antes esses objetos tinham que ser garimpados em lojas e antiquários físicos, hoje podemos procurar e pesquisar em sites de venda especializados ou não e leilões no mundo inteiro sem sair  de casa.

As desvantagens de compras online são os riscos inerentes, ou seja, a idoneidade do vendedor e não saber exatamente as condições dos objetos, que muitas vezes são ofertados no estado em que se encontram e que não é possível avaliar a distância todos os problemas. Há ainda o custo do frete, que pode inviabilizar a compra.

Claro, sites especializados oferecem produtos normalmente revisados e em boas condições, mas cobram por isso. Aficionados e colecionadores mais exigentes preferem esse caminho de baixo risco, mas pagam caro.  Outrossim, há vários perfis de aficionados, seja pelo poder financeiro de cada um ou mesmo de preferências pessoais e até sentimentais.

Por exemplo: Aficionados menos exigentes, que apreciam esses objetos e normalmente fazem uso deles em seu dia a dia não se importam muito com pequenos danos em canetas e lapiseiras antigas, desde que não interfiram em seu correto funcionamento. Estão cientes que foram fabricados com alta qualidade e feitos para durarem muito tempo. Pequenos danos são marcas do uso e alguns até gostam destas cicatrizes.

Para quem se aventura neste mercado de maior risco e menores preços, eventualmente se depara com a necessidade de realizar alguma manutenção em peças compradas e normalmente procurar serviços prestados por terceiros. Neste caso não há meio termo, pois por serem artesanais são serviços de mão de obra caros. Se adicionalmente houver necessidade de substituição de peças o custo pode se tornar inviável. Daí a importância disso tudo ser pensado e avaliado antes das compras.

É surpreendente como canetas e lapiseiras tão antigas e bastante usadas possam ainda funcionar tão bem, manter seu bonito aspecto e escrever melhor que muitas atuais. São objetos feitos para durarem bastante tempo, muitos fabricados antes de nascermos e que ainda estarão por aí depois de nós.