05/03/2026

Abastecimento de canetas tinteiro


A partir da idéia de acoplar a uma caneta tinteiro um reservatório de tinta, a criatividade dos projetistas deu fruto a uma grande quantidade de diferentes sistemas de abastecimento. 


Basicamente estes sistemas são compostos pela combinação de duas partes. A primeira é um tipo de reservatório, local onde a tinta será armazenada para uso. A segunda é um mecanismo, que acionado sugará a tinta para dentro do reservatório. Reservatório + Mecanismo formam então os sistemas de abastecimentos desenvolvidos. São muitos, mas é possível resumir os mais conhecidos e que foram adotados nas principais e mais famosas marcas de canetas no mercado.


A-Reservatórios:


A rigor, os reservatórios de tinta podem ser classificados em dois tipos: 


R1-utilizando uma parte do próprio cano do corpo (barril) da caneta;

R2-utilizando um saco de borracha ou plástico flexível dentro do barril.


Há duas exceções relevantes: 

1-as canetas que operam com cartucho/conversor possuem reservatório em plástico rígido (o cartucho) ou conversor em plástico ou metal com reservatório próprio do tipo R2 ou rígido, destacáveis. A maioria das canetas modernas usam cartucho/conversor pelo custo/benefício ser favorável e maior praticidade de manutenção e operação.

2-a Parker 61 possuí também um reservatório em plástico rígido que comporta em seu interior uma célula coletora plástica de abastecimento por capilaridade. Ou seja, essa caneta não possui um mecanismo mecânico. Apesar de ter sido abandonado por motivos de dificuldades de limpeza, é o mecanismo mais criativo e elegante já oferecido, devido a sua simplicidade e facilidade de operação (basta inserir a ponta do reservatório no tinteiro que a tinta é sugada para seu interior). Ainda restam muitas canetas desse tipo no mercado de usados e funcionam muito bem.


Há ainda canetas com reservatório, mas sem mecanismo próprio de enchimento. São abastecidas com um conta gotas ou uma seringa.


B-Mecanismos de acionamento:


São vários os mecanismos, mas os mais conhecidos são:


M1-barra de pressão: uma barra metálica é acionada para comprimir um saco de borracha;

M2-pistão: um pistão é acionado mecanicamente por um parafuso em rotação (ou por deslizamento tipo seringa em alguns conversores);

M3-diafragma: uma borracha elástica é acionada por uma haste curta para comprimir o ar e depois gerar sucção por vácuo no tubo;

M4-êmbolo: uma haste longa ligada a um êmbolo é acionada para gerar vácuo no tubo;

M5-pneumático: uma haste longa é pressionada para comprimir um saco;

M6-torção: um botão rosqueável no topo do barril é girado para torcer a borracha;

M7-bulbo: um bulbo tipo conta gotas no topo do barril é apertado repetidas vezes;


C-Sistemas de abastecimento: (SA=R+M) é o meio físico pelo qual é gerada uma ação mecânica que vai sugar a tinta para dentro do reservatório:


SA1-Crecent filler, Lever filler e Botão = R2 + M1, esses três sistemas operam de forma semelhante, o que difere é o terminal de acionamento (meia lua, alavanca ou botão) e a posição e formato de cada um, porém estes terminais são acessados na parte externa do corpo da caneta. Sistemas muito utilizados no passado pela maioria das marcas;


SA2-Aerométrico = R2 + M1, sistema lançado pela Parker semelhante ao SA1, mas acionado manualmente acessando a parte interna da caneta, retirando o barril da seção;


SA3-Vacuometic = R1 + M3, sistema de vácuo criado pela Parker;


SA4-Vacuum fill = R1 + M4, sistema de vácuo criado pela Sheaffer;


SA5- Touchdown e Snorkel = R2 + M5, sistemas criados pela Sheaffer;


SA6-Pistão de parafuso acionado pela tampa cega* = R1 + M2, sistema mais utilizado nos modelos de maior qualidade alemãs, como Pelikan, Lamy e Montblanc. Foi também utilizado pela Conklin no modelo Nozac;


SA7-Leverless = R2 + M6, sistema usado pela inglesa Swan (Mabie Todd);


SA8-Bulbo = R1 + M7, sistema usado pela Eversharp no modelo Bantam (caneta de pequena dimensão).


O SA1 é o mais encontrado na maioria das marcas de canetas antigas. SA2 a SA5 são proprietários e, portanto, mais comuns em suas marcas. O SA6 é mais restrito a canetas de valor mais alto, como as marcas de luxo européias. O SA7 e o SA8 foram pouco utilizados, são mais raros.


*Tampa cega: quando presente, é uma tampa geralmente camuflada e rosqueável situada na extremidade do topo do barril, com função associada ao tipo de mecanismo de acionamento. Pode ter a função de apenas tampar uma terminação do mecanismo ou acionar o mesmo ao ser girado nos sentidos horário e anti-horário ou depois de desrosqueada acionar uma haste ou êmbolo.

Exemplos:

SA1-está presente apenas no sistema de Botão. Desrosquear para retirada;

SA2-não está presente;

SA3-apenas tampa o botão ligado a haste de acionamento do diafragma;

SA4-está ligada à haste do êmbolo de acionamento do abastecimento: desrosquear, puxar e empurrar. Basta um só golpe;

SA5-está ligada a haste de acionamento do abastecimento: desrosquear, puxar e empurrar;

SA6-girando num sentido carrega a tinta e no outro esvazia o reservatório;

SA7-girando torce a borracha de armazenamento;

SA8-apenas esconde o bulbo.