09/03/2026

Canetês, estilos e dimensões 


No mundo das canetas tinteiro também existe um jargão canetês próprio de linguagem para se referir às características físicas delas e para identificar estilos, dimensões, mecanismos, materiais, adornos, guarnições, etc.


Muitas destas características já foram abordadas em postagens anteriores. Estilos e dimensões, entretanto, são características voltadas ao aspecto visual e ergonômico das canetas e são mencionados frequentemente como se fossem de conhecimento geral, o que nem sempre ocorre. 


1-Estilos.


Algumas canetas são apresentadas em sua descrição com adjetivos em inglês que pretendem descrever como é a caneta, principalmente quanto aos metais e polímeros que foram usados, o que permite diferenciá-las por preço. Dentre eles os principais são:


Special - frequentemente se refere a canetas com características básicas, sem materiais nobres, ou seja, é uma caneta mais barata para uso diário, normalmente toda em plástico, celulóide ou ebonite;


Flighter - corpo e tampa em aço escovado;


De luxe - canetas com clipe folheado ou banhado a ouro;


Custom - tampa folheada ou banhada a ouro;


Insígnia - corpo e tampa folheados ou banhados a ouro.


Porém, nem todas as canetas podem ser classificadas nestes estilos, pois as combinações possíveis não permitem essa rigidez. 


2-Dimensões.


Os tamanhos das canetas variam bastante e são caracterizados pelo comprimento e diâmetro. Em geral, o comprimento pode variar de 11 a 15cm e o diâmetro de 10 a 14mm, mas podem haver exceções. Os rótulos que classificam as canetas em tamanhos não são padrões, são apenas referências aproximadas de suas dimensões. Dentre eles os mais usados são:


Rótulo -  comprimento médio +/- 0,5cm - diâmetro médio +/- 0,5mm


Standart, regular ou full size - 13cm - 12mm


Júnior - 12cm - 11mm


Sub-Júnior ou ladies - 11cm - 10mm


Oversize, sênior ou máxima - 14cm - 13mm


Slender ou slim - 13cm - 10mm


Demi ou half size - 12cm - 11mm


Os comprimentos são com a tampa fechada. A tampa aberta e inserida na parte de cima da caneta aumenta o comprimento em até 2cm.


Como se vê, as dimensões variam mas se concentram num intervalo estreito de valores. Não há padrões definidos, mas há consenso quanto ao perfil de escala.


Por fim, quando nos referimos a dimensões é necessário abordar o confuso assunto dos cartuchos e conversores. Como fazem parte da grande maioria das canetas tinteiro atuais, é preciso estar atento às suas características. Cartuchos são fabricados em dois tamanhos, curto e longo. Os curtos têm comprimento de 3,8 a 4cm e diâmetro de topo de 6,3 a 7,5mm. Os longos têm comprimento de 7cm ou um pouco mais e o diâmetro é igual ao curto para o mesmo modelo de caneta. Entretanto há outras dimensões no cartucho que se deve conhecer: o diâmetro do colar inferior, do colar de encaixe e do furo por onde a tinta passa. Estas três dimensões nos permitem concluir se um determinado cartucho ou conversor poderá ou não ser acoplado a uma determinada caneta. 


É sabido que em geral não há compatibilidade entre cartuchos de canetas, principalmente entre as marcas mais famosas, devido às diferenças nas dimensões do colar e do furo. Entretanto fala-se muito em certos cartuchos tipo padrão universal ou padrão internacional para diâmetro de furo e colar definidos. Na verdade não existe qualquer padrão oficial ou rígido determinado. O que existe é um certo consenso de mercado que utilizam medidas aproximadas de diâmetros de 2,5mm para o furo e 6,3mm para o colar inferior, sendo que o colar de encaixe é de 4mm. Marcas asiáticas (chinesas principalmente) e algumas européias procuram manter dimensões iguais ou aproximadas a essas em suas canetas, o que permite compatibilidade de cartuchos e conversores entre elas.




05/03/2026

Abastecimento de canetas tinteiro


A partir da idéia de acoplar a uma caneta tinteiro um reservatório de tinta, a criatividade dos projetistas deu fruto a uma grande quantidade de diferentes sistemas de abastecimento. 


Basicamente estes sistemas são compostos pela combinação de duas partes. A primeira é um tipo de reservatório, local onde a tinta será armazenada para uso. A segunda é um mecanismo, que acionado sugará a tinta para dentro do reservatório. Reservatório + Mecanismo formam então os sistemas de abastecimentos desenvolvidos. São muitos, mas é possível resumir os mais conhecidos e que foram adotados nas principais e mais famosas marcas de canetas no mercado.


A-Reservatórios:


A rigor, os reservatórios de tinta podem ser classificados em dois tipos: 


R1-utilizando uma parte do próprio cano do corpo (barril) da caneta;

R2-utilizando um saco de borracha ou plástico flexível dentro do barril.


Há duas exceções relevantes: 

1-as canetas que operam com cartucho/conversor possuem reservatório em plástico rígido (o cartucho) ou conversor em plástico ou metal com reservatório próprio do tipo R2 ou rígido, destacáveis. A maioria das canetas modernas usam cartucho/conversor pelo custo/benefício ser favorável e maior praticidade de manutenção e operação.

2-a Parker 61 possuí também um reservatório em plástico rígido que comporta em seu interior uma célula coletora plástica de abastecimento por capilaridade. Ou seja, essa caneta não possui um mecanismo mecânico. Apesar de ter sido abandonado por motivos de dificuldades de limpeza, é o mecanismo mais criativo e elegante já oferecido, devido a sua simplicidade e facilidade de operação (basta inserir a ponta do reservatório no tinteiro que a tinta é sugada para seu interior). Ainda restam muitas canetas desse tipo no mercado de usados e funcionam muito bem.


Há ainda canetas com reservatório, mas sem mecanismo próprio de enchimento. São abastecidas com um conta gotas ou uma seringa.


B-Mecanismos de acionamento:


São vários os mecanismos, mas os mais conhecidos são:


M1-barra de pressão: uma barra metálica é acionada para comprimir um saco de borracha;

M2-pistão: um pistão é acionado mecanicamente por um parafuso em rotação (ou por deslizamento tipo seringa em alguns conversores);

M3-diafragma: uma borracha elástica é acionada por uma haste curta para comprimir o ar e depois gerar sucção por vácuo no tubo;

M4-êmbolo: uma haste longa ligada a um êmbolo é acionada para gerar vácuo no tubo;

M5-pneumático: uma haste longa é pressionada para comprimir um saco;

M6-torção: um botão rosqueável no topo do barril é girado para torcer a borracha;

M7-bulbo: um bulbo tipo conta gotas no topo do barril é apertado repetidas vezes;


C-Sistemas de abastecimento: (SA=R+M) é o meio físico pelo qual é gerada uma ação mecânica que vai sugar a tinta para dentro do reservatório:


SA1-Crecent filler, Lever filler e Botão = R2 + M1, esses três sistemas operam de forma semelhante, o que difere é o terminal de acionamento (meia lua, alavanca ou botão) e a posição e formato de cada um, porém estes terminais são acessados na parte externa do corpo da caneta. Sistemas muito utilizados no passado pela maioria das marcas;


SA2-Aerométrico = R2 + M1, sistema lançado pela Parker semelhante ao SA1, mas acionado manualmente acessando a parte interna da caneta, retirando o barril da seção;


SA3-Vacuometic = R1 + M3, sistema de vácuo criado pela Parker;


SA4-Vacuum fill = R1 + M4, sistema de vácuo criado pela Sheaffer;


SA5- Touchdown e Snorkel = R2 + M5, sistemas criados pela Sheaffer;


SA6-Pistão de parafuso acionado pela tampa cega* = R1 + M2, sistema mais utilizado nos modelos de maior qualidade alemãs, como Pelikan, Lamy e Montblanc. Foi também utilizado pela Conklin no modelo Nozac;


SA7-Leverless = R2 + M6, sistema usado pela inglesa Swan (Mabie Todd);


SA8-Bulbo = R1 + M7, sistema usado pela Eversharp no modelo Bantam (caneta de pequena dimensão).


O SA1 é o mais encontrado na maioria das marcas de canetas antigas. SA2 a SA5 são proprietários e, portanto, mais comuns em suas marcas. O SA6 é mais restrito a canetas de valor mais alto, como as marcas de luxo européias. O SA7 e o SA8 foram pouco utilizados, são mais raros.


*Tampa cega: quando presente, é uma tampa geralmente camuflada e rosqueável situada na extremidade do topo do barril, com função associada ao tipo de mecanismo de acionamento. Pode ter a função de apenas tampar uma terminação do mecanismo ou acionar o mesmo ao ser girado nos sentidos horário e anti-horário ou depois de desrosqueada acionar uma haste ou êmbolo.

Exemplos:

SA1-está presente apenas no sistema de Botão. Desrosquear para retirada;

SA2-não está presente;

SA3-apenas tampa o botão ligado a haste de acionamento do diafragma;

SA4-está ligada à haste do êmbolo de acionamento do abastecimento: desrosquear, puxar e empurrar. Basta um só golpe;

SA5-está ligada a haste de acionamento do abastecimento: desrosquear, puxar e empurrar;

SA6-girando num sentido carrega a tinta e no outro esvazia o reservatório;

SA7-girando torce a borracha de armazenamento;

SA8-apenas esconde o bulbo.

04/03/2026

Johannes Gutenberg e a democratização do conhecimento

Entre 1455 e 1456 a primeira edição das Bíblias de Gutenberg em latim iniciou uma revolução na arte da escrita. Foram impressas na cidade de Mogúncia (hoje Mainz) na Alemanha em torno de 180 cópias (o número exato é incerto) em papel (estima-se três quartos do total) e pergaminho (material muito mais caro) o restante. É considerado o primeiro livro importante impresso com tipos móveis metálicos. É creditado a Gutenberg o desenvolvimento final dessa técnica de impressão, como a confecção dos tipos, do método, da linha de produção e da tinta utilizada a base de óleo. Até então os livros eram manuscritos e demandavam árduos e demorados trabalhos de copistas, o que onerava o preço e restringia o mercado. Foi a democratização da informação, ou seja, o conhecimento se tornou bem mais acessível. A partir de então, as gráficas se multiplicaram pela Europa numa velocidade muito grande.

Com pouco menos de 1300 páginas, foi copiada da Bíblia manuscrita Vulgata, traduzida para o latim por São Jerônimo no século V a partir da Bíblia Hebraica (velho testamento) e outra em Grego (novo testamento). A encadernação era por conta do comprador e a maioria foram encadernadas em dois volumes, mas outras em três e até quatro volumes. Cabia ainda aos proprietários contratar artistas para decorar suas Bíblias com iluminuras e preencher títulos em espaços deixados para essa finalidade, manualmente. Livros deste período, até 1500, são conhecidos como incunábulos e sua escrita tem muita semelhança com os textos manuscritos anteriores.


Sobrevivem hoje 49 exemplares conhecidos desta primeira edição, completos ou não, catalogados de 1 a 49, sendo que apenas 25 são completos. Há ainda incontáveis páginas avulsas originais com colecionadores. Essas 49 Bíblias pertencem a instituições de apenas 13 países, a maior parte na Alemanha e EUA. Algumas instituições disponibilizam versões digitalizadas completas de suas bíblias em suas páginas na internet para consulta de qualquer pessoa interessada.


O Brasil não possui nenhum exemplar da primeira edição, que foram impressas em 42 linhas por página (há, entretanto, algumas páginas com 40 ou 41 linhas) dividida em duas colunas verticais. No entanto, a Biblioteca Nacional do RJ é proprietária de duas cópias em dois volumes cada, de pergaminho (completas) da chamada Bíblia de Mogúncia, edição de 1462, impressas pelos ex-sócios de Gutenberg. Foram impressas com 48 linhas em duas colunas, portanto menor número de páginas que a edição anterior. Estas cópias foram trazidas pela corte portuguesa ao Brasil após a vinda de D.João VI em 1808. Depois da independência, foram adquiridas pelo Brasil definitivamente de Portugal. Estão disponíveis para download digital no site da BN.


Curiosidade: a Bíblia de Gutenberg catalogada com o número 45, hoje no Japão, foi assinada por 4 proprietários anteriores do século XIX e XX. Os três primeiros (homens ingleses) assinaram com caneta tinteiro e o último (mulher americana) com caneta esferográfica (1950). Sinal dos tempos, pois foi na década de 1950 que as esferográficas consolidaram seu domínio na escrita manual. Este exemplar número 45 com apenas o primeiro volume, portanto incompleto, foi a última venda conhecida dentre as 49 cópias. Atingiu o valor total de 5,4 milhões de dólares (incluindo comissões) em 1987.






03/03/2026

Imprensa

Antes da impressão por tipos móveis, a escrita só era feita manualmente com canetas ou penas de mergulho em tinta e livros eram produzidos e copiados por profissionais copistas, os escribas.

Até meados do século XV, se você pretendia ter um livro qualquer, era preciso conseguir uma cópia manuscrita e contratar um copista para reproduzir o conteúdo novamente. Imagine o tempo que isso tudo demandava. O custo era muito alto, o que restringia a prática a pessoas abastadas. Ter um livro não era para qualquer um. Isso tudo mudou na segunda metade do século XV com a invenção da máquina impressora ou prelo, composta de uma prensa e formas de tipos móveis. Foi um golpe mortal para a antiga profissão dos copistas.


Prensas já eram utilizadas por produtores de vinho e azeite e gravações em papel ou pergaminho eram feitas de diversas maneiras. Tipos móveis de metal, entretanto, não eram conhecidos. Foi preciso elaborar um método para sua produção e fabricar as ferramentas necessárias previamente. Johannes Gutenberg tinha as habilidades e a perseverança necessárias para a empreitada que revolucionou o mundo. 


Basicamente a produção de um tipo metálico que reproduz uma letra ou símbolo passa por três etapas principais:

A-Punção: a letra é esculpida na ponta de uma barra de aço duro em alto relevo. Esse é um trabalho artesanal artístico;

B-Matriz: em uma barra de metal mole a letra é estampada em baixo relevo pela punção, com um golpe de martelo;

C-Molde: caixa metálica desmontável projetada para acomodar a matriz, ser fechada, possuir um orifício por onde possa ser despejado metal derretido e depois ser aberta e retirada dali o tipo fabricado. O processo é repetido milhares de vezes para cada letra e símbolo até haver quantidade suficiente para compor o que se pretende imprimir.



Depois de fabricados, os tipos serão montados reproduzindo o texto em formas no formato de páginas, que recebem tinta em sua face para serem prensadas junto ao papel ou pergaminho. Assim nasceu a imprensa.


É impressionante o esforço que isso tudo demanda. Pois foi assim que por volta de 1450 Gutenberg e sua equipe gráfica deram início à imprensa em Mainz, Alemanha. Seus primeiros produtos serviram de testes. Foram publicados indulgências, calendários e um livro didático de gramática latina, Donatus.


E depois? Toda nova tecnologia começa com desconfiança e essa não foi exceção. Era necessário produzir algo que demonstrasse todo o seu potencial e que ao mesmo tempo tivesse mercado, causasse impacto e proporcionasse lucro. Gutenberg escolheu então o seu alvo: a Bíblia.

11/11/2025

A liturgia da caneta tinteiro

A caneta esferográfica é uma invenção tão importante que chega quase a ser definitiva no desenvolvimento de instrumentos de escrita manual. Parece difícil superar. Mesmo na era da informática, onde mais se digita que se escreve manualmente, são as esferográficas que dominam amplamente o gosto das pessoas. Seja pela qualidade, praticidade, simplicidade, baixo custo e até por ser descartável, não há perspectiva de concorrente que ameace o seu quase monopólio.


As canetas tinteiro que dominavam o mercado perderam seu espaço e caíram no esquecimento, principalmente no ocidente. Felizmente ainda não morreram, e continuam a ser fabricadas e compradas por um público pequeno, mas fiel. Há ainda tinteiros para todos os gostos e bolsos. Fabricantes tradicionais sobreviveram e mantêm suas linhas de produção. Lançamentos de novos modelos são frequentes e o mercado de usados é grande, onde colecionadores e aficionados disputam canetas antigas e raras a preços altos.


Usar uma esferográfica não demanda qualquer treinamento, é só escrever até a tinta acabar. Aí é descartada e substituída por outra, pois são muito baratas. Simples assim.


Entretanto, o uso de uma caneta tinteiro demanda cuidados que lembram uma liturgia ou ritual. Não são baratas e é preciso aprender a usar. Demanda limpeza e manutenção. Quando a tinta acaba é preciso reabastecer. Podem ocorrer vazamentos. É um produto composto de várias peças sujeito a defeitos. Enfim, é necessário que o usuário tenha conhecimento detalhado da caneta para poder fazer o melhor uso e isso não é tão trivial. Vejamos:


1-É preciso aprender a usar. 


Inicialmente é preciso identificar a preferência do usuário quanto a espessura da escrita: fina, média ou grossa, para definir a pena de sua caneta. Há ainda opções de pena rígida ou flexível. Depois vem a escolha do sistema de abastecimento de tinta da caneta. Há muitos sistemas, mas as canetas atuais utilizam basicamente cartuchos descartáveis e/ou conversor de pistão avulso, que é um reservatório de tinta com um mecanismo de sucção. Feitas essas escolhas, é preciso abastecer a caneta. O cartucho já cheio de tinta é simplesmente encaixado no alimentador e a caneta está pronta para escrever. No caso do conversor avulso é preciso colocá-lo no alimentador e depois mergulhar a pena no tinteiro para sugar tinta acionando o êmbolo do conversor. Daí em diante o usuário vai aos poucos aprendendo com a prática a melhor maneira de escrever de acordo com seu estilo. Canetas tinteiro diferem da esferográfica, pois não precisam ser pressionadas contra o papel, devido a fluidez da tinta à base de água. A escrita é mais leve. Entretanto é preciso algum cuidado devido a secagem da tinta não ser tão rápida quanto a tinta das esferográficas.


2-Demanda limpeza e manutenção. 


Canetas tinteiro não são descartáveis e costumam durar décadas. Não há perigo da tinta de boa qualidade secar e danificar a caneta, pois mesmo depois de muito tempo é possível fazer a limpeza de uma caneta deixada esquecida com tinta dentro. Para limpar a pena e o reservatório basta usar água. Se for uma caneta que ficou sem uso por muito tempo, basta colocá-la de molho em água e lavar repetidas vezes até ficar limpa.  A limpeza, em geral, é a manutenção suficiente.  É usada também quando se quer trocar a cor da tinta da caneta. Entretanto, é preciso usar sempre tinta de boa procedência e nunca tintas direcionadas para outros tipos de instrumentos. Outro cuidado é nunca usar qualquer outro produto de limpeza que não seja água, pois podem danificar a caneta de maneira irreversível. Álcool, por exemplo, pode danificar alguns tipos de polímeros.


3-Quando a tinta acaba é preciso reabastecer.


Há vários sistemas de abastecimento. Cada qual demanda uma operação própria. O cartucho é o mais simples, pois pode ser descartado e substituído por outro. Pode ainda ser reutilizado usando uma seringa para enchê-lo de tinta novamente. Os demais sistemas em geral requerem o mergulho da pena no tinteiro com tinta e o acionamento do mecanismo. Depois de abastecido o reservatório, basta limpar a pena com um papel absorvente e a caneta está pronta de novo.


4-Pode ocorrer vazamentos. 


A tinta é a base de água, portanto é mais fluida, porém lavável. Então qualquer problema de vedação ou trinca nas conexões das peças pode ocasionar vazamento de tinta. É desagradável, mas faz parte. A caneta tinteiro é composta de partes desmontáveis que eventualmente se desgastam, danificam ou quebram. Neste caso, pode ser necessário algum tipo de conserto, mas geralmente só algum ajuste. Aficionados, com o tempo e aos poucos, adquirem experiência para consertar pequenos danos ou fazerem ajustes por conta própria. 


5-É um produto composto de várias peças sujeito a defeitos.


Peças quebradas ou avariadas podem ser substituídas. No caso de danos mais sérios, em geral será necessário intervenção profissional no conserto. Como é um trabalho artesanal e que demanda ferramentas especiais, normalmente não é um serviço barato. Aí a avaliação da decisão de se consertar ou não vai depender do valor da caneta, seja ele monetário ou sentimental.


Antes do advento das esferográficas, essa prática toda e muito mais, fazia parte do dia a dia das pessoas. Todos conheciam essa liturgia em detalhes, pois usavam canetas tinteiros como hoje se usam celulares, comparável até como símbolo de status. Com o tempo este ritual caiu em desuso e acabou esquecido. Por enquanto ainda atrai um público nostálgico, mas é difícil saber por quanto tempo.


10/10/2025

Parkette, um modelo Parker Lever Filler

1932/41 - Regular/Deluxe/Zephyr

1950/52 


A crise econômica de 1929 trouxe consequências severas para as indústrias e os fabricantes de canetas tiveram que se reinventar, mas muitos simplesmente quebraram na década de 1930.


Foi nesta época que a Parker precisou projetar um modelo mais barato e competitivo no mercado, incorporando em sua linha de produção uma tecnologia de enchimento da concorrente Sheaffer, pois até então utilizava acionamento por botão em suas canetas de primeira linha como a Duofold e estava desenvolvendo a Vacuometic.


Em 1932, lançou o modelo Parco, com enchimento de alavanca lateral (Lever Filler), mecanismo que tinha se tornado popular, era adotado por muitos fabricantes e agradava os consumidores. Logo depois (1933) o nome do modelo foi mudado para Parkette. Eram canetas em celuloide com tons marmorizados coloridos e preto (cor sólida), clipe rebitado com extremidade em esfera, quatro anéis dourados na tampa (dois abaixo e dois acima do clipe) e pena em ouro 14K. Comparado aos demais modelos da Parker custava muito pouco, cerca de um terço.


Em 1934 foi lançada uma caneta um pouco superior, a Parkette Deluxe, modelo pouco mais caro que a regular, com características semelhantes, mas a regular continuou no mercado.


Em 1938 um clipe de seta foi introduzido.


Em 1940 passou a ser referida como Parkette Zephyr. Em 1941 foi descontinuada.


As tampas dessas canetas variam as guarnições de acordo com o período em que foram fabricadas. Podem ser observadas com quatro, três, dois ou um anel espesso, dependendo do modelo e ano de fabricação. Da mesma forma os clipes podem ser liso ou estampado, com esfera ou seta. Juntos ou separadamente estas características mais os códigos das datas de fabricação estampados ajudam na identificação do tipo e estilo das canetas.


Em 1950 o nome ressurgiu, mas a caneta era diferente. O celulóide foi abandonado, as cores eram sólidas e as tampas metálicas com clipe liso. A pena era coberta, semelhante a “51”. Ficou no mercado só até 1952.


As Parkettes mais dois outros modelos da mesma época (Duo-Tone e Writefine) foram as únicas Parker com uso de alavanca lateral. Por serem canetas de menor qualidade, poucas sobreviveram em boas condições. Além disso, devido a enorme variedade de tipos e subtipos, cores, tamanhos, clipes, guarnições e estampas, são raras e disputadas por colecionadores, pois carregam o nome Parker.

13/08/2025

Waterman's C/F



Waterman's C/F - Cartridge Filled

CARTUCHO

Bem-vindo a anos de prazer ao escrever com a sua nova caneta-tinteiro Waterman's C/F com cartucho. O princípio do cartucho representa o maior avanço no design de canetas-tinteiro desde que L. E. Waterman a inventou em 1884. Leia estas instruções simples com atenção para descobrir como escrever pode ser fácil e agradável com a caneta que carrega como uma arma... escreve como um sonho!

O manual da foto acima acompanhava os estojos de canetas e lapiseiras da Waterman como publicidade de seu modelo C/F, com carregamento de cartucho plástico descartável. Foram lançadas em 1953, um ano depois de um fabricante italiano também colocar no mercado a caneta Atomica, com este mesmo tipo de abastecimento. Mas isso já não era novidade, pois anteriormente outros fabricantes já haviam produzido modelos com cartuchos de vidro. 

A frase do anúncio que diz: "o princípio do cartucho representa o maior avanço no design de canetas-tinteiro desde que L. E. Waterman a inventou em 1884"  é uma propaganda que acabou se tornando uma profecia, pois olhando em retrospecto, este lançamento parece ter sido um divisor de águas para os variados tipos de alimentação de tinta das canetas tinteiro até então, já que daí em diante e aos poucos todos os fabricantes passaram a contar com canetas com cartucho e/ou conversor (C/C), que hoje dominam o mercado. Ou seja, o cartucho passou a ser visto como mais moderno e os demais sistemas como antiquados. Na verdade, cartucho e conversor simplificam bastante a caneta e minimizam manutenção, mas muitos ainda preferem os sistemas tradicionais de enchimento de tinta e ainda há espaço para alguns sistemas daqueles sobreviverem.

No caso da Waterman C/F não foi projetado conversor próprio e os cartuchos são exclusivos, ou seja, não aceita outro tipo. O modelo fez sucesso, mas não era barato o suficiente para sua popularização e foi descontinuada após três décadas. Os cartuchos também não são mais produzidos mas os antigos podem ser reutilizados reabastecendo com seringas. Há ainda conversores de outras linhas modernas da própria Waterman que podem ser adaptados na C/F.

Porém, o grande sucesso de mercado foi a partir do lançamento da Parker 45 em 1960, que oferecia o sistema de cartucho/conversor a preço mais acessível. Até hoje a Parker mantém a compatibilidade de seus cartuchos e conversores para todos os modelos da marca, o que não é uma prática comum entre os grandes fabricantes, mas agrada muito os consumidores. 

Waterman e Parker ainda competem no mercado, mas agora fazem parte de uma mesma corporação, a Newell Brands Inc.

30/05/2025

Parker - 1988


No ano de seu centenário (1888/1988) a Parker relançou o icônico modelo Duofold. A caneta comemorativa é conhecida como Duofold Centennial e continua no mercado como Duofold International. Entretanto essa versão moderna incorporou os mecanismos atuais de abastecimento, ou seja, conversor ou cartucho. Junto foi relançado também a lapiseira Duofold com a mesma aparência dos modelos antigos.

A Parker Pen do Brasil Ind. e Com. Ltda foi uma subsidiária local sediada inicialmente no Rio de Janeiro  em 1959, mas logo depois transferida para São Paulo, no mesmo ano, e fabricou diversos modelos da marca. A fonte desta informação é do livro editado em setembro de 1988, também em comemoração ao centenário, pela própria Parker do Brasil contando um pouco de sua história e de algumas de suas mais conhecidas canetas. Na capa do livro, o título: PARKER 100 ANOS ESCREVENDO A HISTÓRIA DE ESCREVER. O livro é em capa dura com 48 páginas.

O conteúdo mais intrigante do livro é a afirmação de  que em 1940 foi no Brasil que foi realizado o teste de mercado da Parker 51, em várias cidades. Só depois de aprovada aqui, foi lançada oficialmente em 1941 em outros países. Este é um mistério que persiste até hoje, pois a veracidade desta informação não é avalizada pelos especialistas, apesar de não ser também descartada pelos mesmos. 

Ainda em comemoração ao ano festivo, a Parker do Brasil lançou a Parker 88 de fabricação nacional. Esta caneta já havia sido lançada em 1987 no Reino Unido (UK) com esta mesma identificação. A exemplo da moderna Duofold seu abastecimento era com cartucho ou conversor. Foi comercializada com este nome até 1993 e de 1994 em diante passou a ser identificada como Parker Rialto, mas em sua pena era gravado um 88 estilizado. Em 2007 foi descontinuada.

Há poucas informações sobre as fábricas de canetas que operaram no país, mas segundo notícias de imprensa,  em outubro de 1991 a fábrica brasileira da Parker foi fechada.

30/04/2025

Do carvão ao grafite

Pedaços de carvão ou madeira queimada serviram para deixar registrado marcas e desenhos nas cavernas pelos nossos antepassados, e o lápis de grafite só veio a ser inventado no século XVI. 

As primeiras lapiseiras propelentes datam do século XIX, mais especificamente de 1823, portanto há mais de 200 anos. Sampson Mordan & Co era o fabricante inglês e detinha a patente, mas outros fabricantes entraram na concorrência. Eram lapiseiras metálicas e pouco se assemelhavam às atuais no formato, apesar de operarem de forma semelhante. 

Lapiseira do final do século XIX ou início do XX

O formato destas primeiras lapiseiras foi mantido com pequenas variações até o início do século XX, quando começaram a aparecer as formas mais semelhantes às atuais, agora utilizando também materiais poliméricos para o corpo e introduzindo formatos mais ergonômicos.

Lapiseira e caneta tinteiro Duofold da década de 1920


De lá para cá poucas novidades surgiram em termos funcionais, apesar da grande variedade de estilos disponíveis no mercado e melhorias nos mecanismos de propulsão. Por algum tempo a inovação que mais chamou a atenção foi do uso de grafite líquido (Liquid Lead), com cargas semelhantes a canetas esferográficas, porém logo foi abandonada.

Lapiseira Liquid Lead e caneta tinteiro Parker 41 – 1956/58


Até hoje os fabricantes de canetas tinteiro costumam oferecer para venda lapiseiras conjugadas em estojos com ambas assumindo o mesmo nome de modelo.

As indústrias de lápis e lapiseiras se mantêm bastante sólidas e os grandes fabricantes estão no mercado há muito tempo, sendo que os principais são bem conhecidos de todos nós pelas suas tradicionais marcas. 


26/04/2025

As italianas

 

As canetas européias já foram mais populares no passado, como as inglesas, francesas e alemãs, onde muitos fabricantes produziam canetas tinteiro de preços acessíveis para uso no dia a dia. Hoje algumas marcas ainda continuam no mercado, mas a produção de algumas delas foi voltada para o mercado de luxo, de alto valor de venda, cujos produtos são considerados verdadeiras jóias. 

Marcas como a alemã Montblanc, a suíça Caran d'Ache, as francesas Cartier e Dupont, entre outras, se dedicam quase que exclusivamente à produção de canetas com alto valor agregado. A produção é limitada, mas a procura continua.

Mas quando se fala em canetas de luxo, é preciso lembrar primeiramente das famosas marcas italianas, país onde há uma concentração maior de fabricantes de canetas de qualidade superior. As principais são: Aurora, Ancora, Omas, Delta, Visconti e Montegrappa, não necessariamente nesta ordem, pois as preferências variam.

Montegrappa (1912), Ancora e Aurora (ambas de 1919) são as mais antigas e tradicionais. Omas (1925) fechou em 2016, porém a marca ressurgiu em 2023. Delta (1985) fechou em 2017 e ressurgiu em 2022. Visconti (1988) é a mais recente. Todas elas fabricaram no passado vários modelos de canetas que se tornaram ícones para colecionadores e aficionados, e continuam lançando modelos em série ou comemorativas e de edições limitadas. 

Seus preços refletem o custo dos materiais e mão de obra especializadas que demandam. Sua matéria prima abrange metais raros, pedras preciosas e materiais poliméricos de primeira linha. A montagem é artesanal e são consideradas verdadeiras obras de arte. Normalmente são montadas e testadas individualmente.

É claro que o alto preço destas canetas as torna praticamente inacessíveis à grande maioria dos consumidores. A quem, mesmo assim, sonha em possuir uma delas, resta procurar por ofertas de usadas em vendas pela internet, ou participar de leilões online, onde os preços podem ser mais baixos e eventualmente alguma oferta pode se encaixar no orçamento de quem está à procura. Porém essa procura pode não ser muito fácil, pois mesmo o mercado de usados é limitado.

21/04/2025

Tinta e papel


Atualmente poucas pessoas se importam com tipos de papel, pois cada vez se escreve menos de forma manual e qualquer papel é usado com canetas esferográficas que predominam no mercado. As esferográficas descartáveis democratizaram a escrita, pelo seu baixíssimo custo. Sua tinta à base de óleos solúveis não é exigente quanto ao tipo de papel,  pois sua secagem é muito rápida e mesmo em papéis de baixa gramatura não borra ou ultrapassa para o verso.

Tintas à base de água,  como as usadas em canetas tinteiro e em instrumentos de desenho, entretanto,  têm melhor resultado em papéis específicos,  devido ao problema de sua absorção e secagem ser mais demorado.

É preciso sempre lembrar que tintas para desenho, como a nanquim, não devem ser usadas em canetas tinteiro, pois apesar do solvente ser água,  esta tinta é composta de goma aglutinante (cola) que depois de seca não se dissolve mais com água, o que resulta em entupimento irreversível. Tintas de impressoras também não devem ser utilizadas, pois incorporam elementos prejudiciais.

Canetas tinteiro são mais exigentes quanto a tinta e papel quando se deseja uma experiência mais agradável de escrever e uma melhor conservação dos componentes da caneta. Tintas e papéis de maior qualidade custam mais caro e não são tão fáceis de se encontrar no comércio de rua. Dependendo do tipo procurado é preciso adquirir no exterior ou no comércio virtual. Isso se deve ao baixo consumo, o que restringe a oferta.

As tintas mais tradicionais,  normalmente associadas a marcas famosas, são as mais recomendadas, como: Skrip da Sheaffer, Quink da Parker, Pelikan, Montblanc, J.Herbin, etc. Deve haver cautela com tintas asiáticas mais baratas.

Papéis de gramaturas mais elevadas, no mínimo de 90 g/m2,  são mais adequados para canetas tinteiro, mas existem papéis mais especificamente fabricados, como os de marca Rhodia, Clairefontaine, Leuchtturm1917 entre outros, que possuem textura, espessura e resistência adequadamente projetados. Há ainda papéis com revestimento especial com este propósito.

A transição da caneta tinteiro para a esferográfica acarretou numa mudança de cultura na escrita, principalmente no ocidente, que parece irreversível e o mercado ficou restrito. Felizmente essa cultura ainda sobrevive na Ásia principalmente, o que tem mantido ainda a sobrevivência e oferta destes produtos.

16/04/2025

Pena, aparo ou "nib"


A peça mais importante da caneta tinteiro é mais conhecida como pena, nome derivado dos primórdios da escrita, quando eram utilizadas penas de aves aparadas como canetas. Daí também vem a origem do nome aparo. As pontas destes  instrumentos eram mergulhadas em tinta e depois usadas na escrita. Em inglês é referida como "nib" e em espanhol pluma.


Com o tempo e avanços tecnológicos,  as penas passaram a ser confeccionadas em metal, e até hoje equipam as canetas tinteiro. Ligas metálicas de muitos tipos são usadas. Basicamente são ligas de aço que podem ser revestidas de outros metais, como  o ouro por exemplo. Penas de ouro são mais caras, mas mesmo elas podem ser consideradas ligas, pois o ouro puro é um metal demasiado mole.


As penas em sua maioria são bipartidas, formando duas pernas (“tines”), para obter um canal por onde a tinta flui. Em sua maioria também possuem um orifício onde a bipartição começa, para melhorar a resistência do conjunto.


Duas características importantes das penas são: espessura e flexibilidade. A espessura está relacionada à escrita, como fina, média, grossa, etc. A flexibilidade permite formatos variados de estilos em função da pressão e torção da pena durante o uso. Normalmente as penas são mais rígidas que flexíveis, para proporcionar uma escrita de espessura uniforme.


Com a descoberta de metais mais duros que o aço no século XIX,  como o irídio e outros, passou-se a engastar uma pequena ponta destes metais na extremidade das penas, resolvendo o problema do desgaste metálico das pontas devido ao atrito com o papel e também a corrosão provocada pela tinta. Devido ao alto custo do irídio,  outros metais mais baratos e menos raros também são usados atualmente, apesar de costumeiramente serem genericamente chamados de iridium.


Além das penas comuns de canetas tinteiro, existem penas menos populares, usadas principalmente em caligrafia. São chamadas "Stub" e são fabricadas em variados formatos de ponta, para diversas espessuras, retas e oblíquas, o que permite aos calígrafos infinitos efeitos especiais de escrita, combinando as diferenças proporcionadas pela variação da movimentação horizontal e vertical da pena.


As penas são fixadas nos alimentadores, peças de material polimérico que as ligam ao reservatório de tinta e normalmente substituições e reparos exigem algum conhecimento ou até serviço profissional. Entretanto,  alguns modelos de canetas são projetados para facilitar a substituição. Há casos de penas rosqueáveis ou apenas fixadas por pressão, que não exigem habilidades ou ferramentas para remoção e colocação.


O mais importante para uma boa conservação da pena é  o uso de tintas de boa procedência, pois há  tintas que podem provocar danos irreversíveis devido a corrosão e entupimento.


22/10/2022

Reynolds, uma lenda viva

O húngaro Lászió Biró patenteou a esferográfica em 1938 e chegou a produzir a caneta Birome na Argentina, mas foi o americano Milton Reynolds quem protagonizou os primeiros sucessos de venda em 1945 nos EUA. Biró havia vendido os direitos de sua patente em 1944 para a Eversharp, mas Reynolds modificou o projeto original que funcionava por capilaridade por outro que funcionava por gravidade, usando uma tinta mais fluida. Assim se protegeu dos direitos de patente alheio e se antecipou à Eversharp no mercado americano, mas gerou problemas de qualidade no produto, pois as canetas vazavam.

Mais tarde, em 1949, Biró vendeu os direitos para o francês Marcel Bich, que lançou em 1950 sua versão BIC na França. O sucesso foi imediato e permanece até hoje. Uma caneta de qualidade, durável e tão barata que é descartável após o término da tinta. Só em 1959 as BIC entraram no mercado dos EUA.

Reynolds também expandiu seu negócio para a França e a Índia. A fábrica americana foi fechada em pouco tempo e a produção ficou concentrada na Europa e Ásia. Milton Reynolds vendeu sua participação na empresa, se mudou para o México e passou a se dedicar a outros negócios. Mais recentemente a fábrica francesa também foi encerrada e hoje sobrevive apenas a Indiana, onde o mercado é ainda dominado pela marca e agora pertence ao conglomerado americano Newell Brands Inc., que também é dono da Parker e Waterman, dentre outras.

Apesar de pouco conhecida atualmente, a Reynolds é considerada um ícone pelo pioneirismo e história, sendo a marca sobrevivente de canetas esferográficas mais tradicional do mercado e ainda pode ser encontrada e comprada para uso. É só procurar!





29/08/2022

Datas da Parker

A Parker ao longo do tempo marcou no corpo de suas canetas códigos de identificação das datas em que foram fabricadas.


Entretanto, esses códigos foram modificados em determinadas épocas e suprimidos em outras. Portanto, é preciso estar atento a isso. 

Segue abaixo estes códigos, separados por períodos anuais:

1 - Até 1931 não havia códigos.

2 - De 1932 a 1955:

Está gravado o último dígito do ano com nenhum, um, dois ou três pontos ao redor para identificar o quarto, terceiro, segundo e primeiro trimestre, respectivamente. Exemplo: .0. significa segundo trimestre de um ano terminado em zero.

3 - De 1956 até 1979 não há códigos.

4 - De 1980 em diante:

O ano é identificado pela ordem da letra da frase QUALITYPEN, começando por zero (Q) e terminando em 9 (N). Exemplo:  a letra correspondente a 1985 é T.

4.1 - De 1980 a 1986:

O trimestre é identificado pela ordem da letra da palavra ECLI, começando por 1 (E) e terminando em 4 (I). Exemplo: YC, ano terminado em 6 (Y), ou 1986, segundo trimestre (C).

4.2 - De 1987 a 1999:

O trimestre precede o ano e é identificado por sistema análogo aos pontos, mas com barras verticais III, II, I ou nada, para o primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestre, respectivamente. Exemplo: IIL, segundo trimestre (II) de ano terminado em 3 (L) ou 1993.

4.3 - De 2000 em diante:

Reverte-se a ordem para ano/trimestre  com um ponto no meio. Exemplo: P.I, ano terminado em 7 (P), terceiro trimestre (I).